{"id":53,"date":"2009-04-02T23:26:29","date_gmt":"2009-04-02T23:26:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.ess-edu.pt\/pnep\/?p=53"},"modified":"2009-04-02T23:26:29","modified_gmt":"2009-04-02T23:26:29","slug":"quem-me-conta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.ess-edu.pt\/pnep\/2009\/04\/02\/quem-me-conta\/","title":{"rendered":"Quem me conta?"},"content":{"rendered":"<p>Num <em>tempo <\/em>onde cada vez mais o <em>tempo<\/em> foge, por entre afazeres que escravizam as pessoas e n\u00e3o lhes deixam espa\u00e7o para apreciarem os momentos mais belos que\u00a0s\u00e3o aqueles em\u00a0que partilhamos o sorriso das crian\u00e7as enquanto brincam\u00a0num mundo\u00a0imagin\u00e1rio, urge perguntar quem lhes conta um conto.<br \/>\nEsquecidos do nosso <em>tempo<\/em>, daquele <em>tempo<\/em> em que partilh\u00e1vamos brincadeiras, nos suj\u00e1vamos com a terra que cobria os nossos parques, nos deleit\u00e1vamos com as coisas simples que nos eram oferecidas, cri\u00e1vamos sonhos, ouviamos as hist\u00f3rias que av\u00f3s e pais (m\u00e3es) nos contavam, assistimos actualmente a um <em>tempo<\/em> de puro ego\u00edsmo e esquecemos as nossas crian\u00e7as e o<em> tempo<\/em> em que tamb\u00e9m n\u00f3s o fomos.<\/p>\n<p>A escola tem vindo a substituir os pais no seu papel de educadores e parece que essa ideia ganha ainda mais consist\u00eancia com o que ouvimos apregoar a quem tem responsabilidades a este n\u00edvel. A peregrina ideia de escola a tempo inteiro ganha for\u00e7a num mundo cada vez mais exigente e em decad\u00eancia, como se tem vindo a manifestar. Jamais a palavra escravatura teve significado como agora. Se em tempos ser escravo significava ser algu\u00e9m sem direitos,\u00a0n\u00e3o\u00a0ser sequer dono do seu pr\u00f3prio\u00a0corpo, quanto mais da alma, o que constatamos hoje \u00e9 mais do que essa perda, \u00e9 a perda do nosso direito em educar os nossos filhos enquanto pais e lhes podermos dar aquilo que eles nos pedem: <strong>a nossa aten\u00e7\u00e3o<\/strong>, <strong>o nosso amor<\/strong>, <strong>a nossa educa\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Preferimos entregar a outros o destino dessas obriga\u00e7\u00f5es. Descartamos a nossa possibilidade de estar com as nossas crian\u00e7as. Esperamos que algu\u00e9m fa\u00e7a por n\u00f3s o que n\u00e3o queremos fazer. \u00c9 mais f\u00e1cil. Que ign\u00f3bil ideia esta! Cri\u00e1mos armaz\u00e9ns de crian\u00e7as e esperamos que a\u00ed sejam formatadas, aparadas, limadas, esculpidas, talhadas. Quando as recebemos nem as reconhecemos. Para que n\u00e3o nos criem <em>muitas ondas<\/em> satisfazemos todos os seus caprichos. N\u00e3o h\u00e1 paci\u00eancia para aturar as suas pretens\u00f5es e por isso lhes damos tudo o que \u00e9 poss\u00edvel dar. J\u00e1 n\u00e3o brincamos com elas , n\u00e3o lhes contamos hist\u00f3rias, antes as colocamos \u00e0 frente do maravilhoso ecr\u00e3 de TV, computador ou da maravilhosa consola de jogos, \u00faltima gera\u00e7\u00e3o com as mais recentes actualiza\u00e7\u00f5es. Se isto n\u00e3o resultar sempre existe o famigerado telem\u00f3vel que tamb\u00e9m grava <em>cenas bacanas<\/em> e sempre podem ser vistas no Youtube.<\/p>\n<p>Quem me conta? Quem me conta uma hist\u00f3ria daquelas que me fazem viajar at\u00e9 aos confins do imagin\u00e1rio?<\/p>\n<p>Quem me conta?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num tempo onde cada vez mais o tempo foge, por entre afazeres que escravizam as pessoas e n\u00e3o lhes deixam espa\u00e7o para apreciarem os momentos mais belos que\u00a0s\u00e3o aqueles em\u00a0que partilhamos o sorriso das crian\u00e7as enquanto brincam\u00a0num mundo\u00a0imagin\u00e1rio, urge perguntar quem lhes conta um conto. 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