Manuel Alegre, político e poeta português, nasceu em Águeda a 12 de Maio de 1936 e notabilizou-se por escrever obras que se opunham, metaforicamente, ao governo salazarista. Alegre esteve exilado na Argélia durante o período do Estado Novo.
Membro destacado do Partido Socialista, do qual foi fundador, é, ainda hoje, deputado na Assembleia da República.
Estudou Direito na Universidade de Coimbra e cumpriu serviço militar durante a guerra em Angola. Desde muito cedo, os seus ideais políticos foram vincados, foi preso pela polícia política (PIDE), na ex-colónia portuguesa atrás referida, por se ter oposto à legitimidade da guerra. Na cadeia conhece escritores angolanos como Luandino Vieira, António Jacinto e António Cardoso.
Para além da intensa actividade política, Alegre produziu vasta obra literária, mais especificamente, obras poéticas. Os seus dois primeiros livros, “Praça da Canção” e “O Canto e as Armas”, são apreendidos pela censura, mas circularam clandestinamente, em forma de cópias e manuscritos, pela mão do povo. Os seus poemas foram cantados por José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, criando uma espécie de grupo de defensores da liberdade. Desta forma, tornou-se num dos símbolos mais importantes da oposição à ditadura.
Manuel Alegre partilha os ideais de Sttau Monteiro e José Afonso, ao criticar, metaforicamente, o regime Salazarista. Hoje é um dos mais importantes símbolos literários da época repressiva, deixando a sua marca na luta a favor da liberdade.

Há muito que ando para vos dar os parabéns pelo vosso projecto de criar um espaço para ligar a Escola e a enviar para o cyberespaço.E também pelo vosso blog, cheiinho de coisas com interesse e sempre actualizado.Parabéns a todos, portanto!
Deixo-vos um poema de Manuel Alegre, que podem publicar,se acharem bem, com um abraço para cada um!
Liberdade
“Je suis né pour te connaitre
pour te nommer
Liberté”
Paul Éluard
Sobre esta página escrevo
teu nome que no peito trago escrito
laranja verde limão
amargo e doce teu nome.
Sobre esta página escrevo
o teu nome de muitos nomes feito
água e fogo lenha vento
primavera pátria exílio.
Teu nome onde exilado habito e canto
mais do que nome: navio
onde já fui marinheiro
naufragado no teu nome.
Sobre esta página escrevo
o teu nome: tempestade.
E mais do que nome: sangue.
Amor e morte.Navio.
Esta chama ateada no meu peito
por quem morro, por quem vivo
este nome rosa e cardo
por quem livre sou cativo.
Sobre esta página escrevo
o teu nome: liberdade.
In Praça da Canção (1965)
E outro poema de Manuel Alegre
As Mãos
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos.E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
In O canto e as armas, 1967