José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929 em Aveiro. Mais conhecido por Zeca Afonso, foi um famoso cantor e compositor português . Não excluindo o seu trabalho com o fado de Coimbra e a música tradicional, Zeca Afonso ficou associado pelo imaginário colectivo à música de intervenção, através da qual criticou o Estado Novo, regime de ditadura vigente em Portugal entre 1933 e 1974.
Residindo com o tio Filomeno em Belmonte, viveu o ambiente mais profundo do Salazarismo, de que seu tio era fervoroso admirador, levando-o a envergar a farda da Mocidade Portuguesa. «Foi o ano mais desgraçado da minha vida», confidenciou Zeca.
Passou por Coimbra onde começou a cantar, sendo reconhecido pelos tradicionalistas como um bicho que cantava bem.
Em 1958, José Afonso gravou o seu primeiro disco “Baladas de Coimbra”. Gravou outros trabalhos como “Os Vampiros” que, juntamente com “Trova do Vento que Passa” (um poema de Manuel Alegre, musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira), se tornou um dos símbolos de resistência antifascista da época. Zeca Afonso passa a ser tratado nos jornais pelo anagrama Esoj Osnofa em virtude de ser alvo de censura. Em 1971, edita “Cantigas do Maio”, de que faz parte “Grândola Vila Morena”, que, seria mais tarde, imortalizada como um dos símbolos da revolução de Abril.
Após a Revolução dos Cravos continuou a cantar. Gravou o LP “Coro dos Tribunais” e participou em numerosos “cantos livres”. A sua intervenção política não parou, e tornou-se um admirador do período do Processo Revolucionário em Curso.
Em 1983, foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusou. Curiosamente, dois anos após a sua morte, a sua mulher recusou, também ela, esta distinção.
José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, em Setúbal. Será certamente recordado como um resistente que conseguiu trazer a palavra de protesto antifascista para a música popular portuguesa.
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