Hoje o Futebol Clube do Porto perdeu uma oportunidade de ir mais além. Quantas vezes não perdemos nós também as oportunidades de ir mais longe?
Já pensámos alguma vez, seriamente, pergunto, no que é a nossa acção enquanto professores quando perdemos os nossos alunos?
A facilidade com que dizemos que os alunos não querem aprender, não se interessam, são distraídos, não ligam, cabe tão bem na desculpa para o insucesso que grassa nas nossas escolas e desculpabiliza a nossa atitude. São eles que não querem saber. E nós? Queremos?
No velho costume de culpabilização da vítima, atiramos para os outros a responsabilização pelas acções que não tivemos. Foi no Jardim de Infância que a Educadora não se interessou pela criança e a entretia com os jogos, com os cantinhos da brincadeira, etc.. O professor do 1º Ciclo era uma nódoa que saías às 15:30 e ia para o café “dar à língua”. No 2º Ciclo já não era bem assim: reuniões, horário reduzido, reuniões, da minha disciplina sei eu e mais ninguém, reuniões, não tenho que receber ninguém, para isso existe o director de turma, reuniões… No Ciclo seguinte repete-se a mesma cena e no Secundário o mesmo do mesmo…
Parece um desafio, mas não é, se reflectirmos um pouco esta é a realidade doa ou não doa.Quantos Educadores (há alguns!) se interessam pelo que vem a seguir e orientam o seu trabalho em função do percurso seguinte? E no 1º Ciclo? E nos níveis de ensino que se seguem?
Tal como nos diz Vygotsky “toda a aprendizagem tem uma pré-história” e disso nos esquecemos enquanto educadores. Reflectir sobre o que a criança sabe e o que temos de desenvolver e aprofundar mediante esse conhecimento parece escapar-nos e preferimos responsabilizar quem antes teve nas mãos o destino dos aprendentes.
Tão bom ouvirmos chamar-nos s’tores. Enche-nos o ego!
Mas, afinal, a nossa missão é levar a todos, sem excepção, sem discriminação, o conhecimento e desenvolver as competências para que cada pessoa possa ser capaz de enfrentar o mundo que o desafia.
Pensemos no que é a nossa atitude. aceitemos a divergência. Se não conseguimos, podemos pedir ajuda. A escola não é um espaço individual mas colectivo. Que medo temos de perguntar, de admitir que não sabemos tudo? Façamos convergir para a cooperação a nossa atitude. Não se prejudique quem temos a obrigação de ensinar.
A bem da Escola Pública.
Paulo Oliveira

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