Abril 2009

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O novo Programa de Português encontra-se homologado e entrará em vigor no ano lectivo de 2010/2011, de forma faseada. Podem consultar a versão homologada no sítio da DGIDC.

A PERDA

Hoje o Futebol Clube do Porto perdeu uma oportunidade de ir mais além. Quantas vezes não perdemos nós também as oportunidades de ir mais longe?
Já pensámos alguma vez, seriamente, pergunto, no que é a nossa acção enquanto professores quando perdemos os nossos alunos?
A facilidade com que dizemos que os alunos não querem aprender, não se interessam, são distraídos, não ligam, cabe tão bem na desculpa para o insucesso que grassa nas nossas escolas e desculpabiliza a nossa atitude. São eles que não querem saber. E nós? Queremos?

No velho costume de culpabilização da vítima, atiramos para os outros a responsabilização pelas acções que não tivemos. Foi no Jardim de Infância que a Educadora não se interessou pela criança e a entretia com os jogos, com os cantinhos da brincadeira, etc.. O professor do 1º Ciclo era uma nódoa que saías às 15:30 e ia para o café “dar à língua”. No 2º Ciclo já não era bem assim: reuniões, horário reduzido, reuniões, da minha disciplina sei eu e mais ninguém, reuniões, não tenho que receber ninguém, para isso existe o director de turma, reuniões… No Ciclo seguinte repete-se a mesma cena e no Secundário o mesmo do mesmo…

Parece um desafio, mas não é, se reflectirmos um pouco esta é a realidade doa ou não doa.Quantos Educadores (há alguns!) se interessam pelo que vem a seguir e orientam o seu trabalho em função do percurso seguinte? E no 1º Ciclo? E nos níveis de ensino que se seguem?
Tal como nos diz Vygotsky “toda a aprendizagem tem uma pré-história” e disso nos esquecemos enquanto educadores. Reflectir sobre o que a criança sabe e o que temos de desenvolver e aprofundar mediante esse conhecimento parece escapar-nos e preferimos responsabilizar quem antes teve nas mãos o destino dos aprendentes.

Tão bom ouvirmos chamar-nos s’tores. Enche-nos o ego!
Mas, afinal, a nossa missão é levar a todos, sem excepção, sem discriminação, o conhecimento e desenvolver as competências para que cada pessoa possa ser capaz de enfrentar o mundo que o desafia.

Pensemos no que é a nossa atitude. aceitemos a divergência. Se não conseguimos, podemos pedir ajuda. A escola não é um espaço individual mas colectivo. Que medo temos de perguntar, de admitir que não sabemos tudo? Façamos convergir para a cooperação a nossa atitude. Não se prejudique quem temos a obrigação de ensinar.

A bem da Escola Pública.

Paulo Oliveira

Quem me conta?

Num tempo onde cada vez mais o tempo foge, por entre afazeres que escravizam as pessoas e não lhes deixam espaço para apreciarem os momentos mais belos que são aqueles em que partilhamos o sorriso das crianças enquanto brincam num mundo imaginário, urge perguntar quem lhes conta um conto.
Esquecidos do nosso tempo, daquele tempo em que partilhávamos brincadeiras, nos sujávamos com a terra que cobria os nossos parques, nos deleitávamos com as coisas simples que nos eram oferecidas, criávamos sonhos, ouviamos as histórias que avós e pais (mães) nos contavam, assistimos actualmente a um tempo de puro egoísmo e esquecemos as nossas crianças e o tempo em que também nós o fomos.

A escola tem vindo a substituir os pais no seu papel de educadores e parece que essa ideia ganha ainda mais consistência com o que ouvimos apregoar a quem tem responsabilidades a este nível. A peregrina ideia de escola a tempo inteiro ganha força num mundo cada vez mais exigente e em decadência, como se tem vindo a manifestar. Jamais a palavra escravatura teve significado como agora. Se em tempos ser escravo significava ser alguém sem direitos, não ser sequer dono do seu próprio corpo, quanto mais da alma, o que constatamos hoje é mais do que essa perda, é a perda do nosso direito em educar os nossos filhos enquanto pais e lhes podermos dar aquilo que eles nos pedem: a nossa atenção, o nosso amor, a nossa educação.

Preferimos entregar a outros o destino dessas obrigações. Descartamos a nossa possibilidade de estar com as nossas crianças. Esperamos que alguém faça por nós o que não queremos fazer. É mais fácil. Que ignóbil ideia esta! Criámos armazéns de crianças e esperamos que aí sejam formatadas, aparadas, limadas, esculpidas, talhadas. Quando as recebemos nem as reconhecemos. Para que não nos criem muitas ondas satisfazemos todos os seus caprichos. Não há paciência para aturar as suas pretensões e por isso lhes damos tudo o que é possível dar. Já não brincamos com elas , não lhes contamos histórias, antes as colocamos à frente do maravilhoso ecrã de TV, computador ou da maravilhosa consola de jogos, última geração com as mais recentes actualizações. Se isto não resultar sempre existe o famigerado telemóvel que também grava cenas bacanas e sempre podem ser vistas no Youtube.

Quem me conta? Quem me conta uma história daquelas que me fazem viajar até aos confins do imaginário?

Quem me conta?