Quando a confusão se instala as palavras não fluem. Quando não sabemos bem o que fazer, se fazer, o que pensar, se pensar, o que ser, se ser… simplesmente ficamos parados à espera de algo ou alguém… dentro ou fora de nós. Precisava de escrever algo… não consegui. Deixo então algumas palavras muito especiais e que melhor que nada retratam este momento. Alguém as escreveu por mim…
***
“
Durmo ou não?
Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem… Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?
”
Fernando Pessoa

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