Há momentos em que o que mais queremos é o vazio. Embora não queiramos nada. Nem sabemos para onde ir. Que decisão tomar. O limiar da consciência. O limbo dos sentidos.
Há momentos em que os sentidos não fazem sentido. Momentos de fuga. Momentos de lua. Momentos de noite escura.
Há momentos em que tudo é turvo. Em que a ilusão trouxe a desilusão. E o mundo parecia maior.
Há momentos em que o que escrevo faz sentido. Em que voz fraqueja.
Há momentos em que nada que se queira se escreve. Nem o que se não quer. E o mundo é simplesmente o nosso.
Há momentos de fúria. Pelo que o passado foi ou não foi. Pelo que vem e não esperamos. Pelo que esperamos e não vem.
Há tempo para ser e não ser.
Há tempo para o faz-de-conta.
Há tempo para nós. Para ser ninguém.
Tempo para querer andar quando as pernas estão imóveis.
É tempo para ser alguma coisa.
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Neste momento há um texto que me dá força. Não é só um texto. É um conjunto de palavras vivas. Não voltarei a ter medo do escuro…
Este representa a estreia da minha Fita de Curso… Escrito por uma amiga muito especial. Obrigado.
Preto não é luto mas escuridão, cor que tão bem personifica o nosso âmago perante o incerto. A cegueira existencial com que vivemos, sem Braille que nos guie para a direcção certa. É essa a cor que vestimos a cada final, ao cortar da meta, a respiração ofegante, irregular, a blurry vision, sintomas da fraqueza do corpo perante as adversidades. E daí vestirmos o preto, pela debilidade do nosso próprio sistema, aquele em que somos o Sol e em que todos os planetas, todos os subsistemas biológicos, sofrem movimentos de translação em torno de nós, dos nossos desejos, das nossas necessidades, em busca do equilíbrio. Por isso, no momento em que lançares sobre ti a capa, lembra-te que esta é uma cor de revolta e não de tristeza, a ser encarada como uma bofetada psicológica ao teu inconsciente, lançada como um desafio a ti próprio, o de te descobrires, o de sentires o teu corpo a fervilhar, ofendido pela provocação, pronto a ripostar, a iniciar mais uma corrida e a rasgar a próxima meta com uma violência que faça com que a bíblica travessia do Mar Vermelho pareça diminuta em comparação com as ondas que ele ergue para que no fim da próxima prova sejas mais resistente e mais audacioso nas metas que pretendes cortar já não com o torso, nem com os braços bem erguidos nos ar, mas com a tua mera vontade.
E ,agora que a letra e o discurso aparentemente inextinguível me identificaram, saliento o gosto de ser a pessoa que te “abre” a fita, mas que não fará fitas em discursos emocionais ou de torrenciais desejos de boa sorte, saúde e amor. Se definidora me cognominas porque definiria eu pedras a pisares? Pensei em escrever-te um texto, dedicar-to, um daqueles do género da “ Carta a um frustrado”, com que tu, talvez um pouco desesperadamente te identificas, mas isso seria dar asas à tua indefinição. Em vez disso, chamo-te à Terra para que te encontres com a matéria que deves pisar, usar como trampolim para o salto mas, mais importante, como espaço para regresso. Não te percas em ilusórias indefinições, tu sabes o que és mas, por vezes, o medo é superior e preferes manter-te atrás de um véu que apelidas de desconhecido.
“Death is not the biggest fear we have; our biggest fear is taking the risk to be alive”
O risco de estar vivo é o melhor desporto radical que encontrarás, o que te provoca a maior taxa de produção de adrenalina, é a nossa melhor droga, a maior toxina e o mais puro nutriente. Ser estudante é estar, incessantemente vivo, é sentir-se interminavelmente compelido a procurar um novo enigma que, mais do que o gosto da descoberta, nos fornece mais uma peça para o puzzle que chamamos existência.
Saudações Académicas !
Yes, we can
Diana Duarte
Tags: Diana
Escrevo para uma pessoa que apareceu na minha vida há relativamente pouco tempo. Escrevo para uma pessoa com quem, todos os dias, vou aprendendo a ser o que realmente sou. Escrevo porque me pediste para escrever. Escrevo pelo que és e pelo que tens sido [não pelo que alguma vez possas ter sido]. Obrigado por seres. E obrigado por seres parte de mim.
És muito.
De mim,
Das casas,
Do azul
Do meu céu
Das árvores,
De nós.
A janela aberta
Sobre o rio.
A ponte para mim.
Do que resta,
Para o que vai restar.
És-me.
Eu sou tu,
Mistura de cores,
Vivas e definidas,
Opostas,
A despojos de pianos,
Em tons de sépia.
És o que há de novo,
A cidade distante,
Meu quarto-minguante,
Estrada de rumo errante.
És meu levantar
Do chão,
Do que foi vão,
Do que pode restar…
Resta o frio,
Restam jardins vazios:
O que não sou.
Faz-me ser.
Sê o meu porto,
A minha causa.
Serei uma amarra,
Ou a rede,
O teu ombro.
Sê os meus desejos,
Serei a tua razão.
Sê tu mesma…
Faz me sonhar…
Serei só eu,
Fazendo-te acreditar.
Tudo o que,
Poderias ser,
És.
E tudo aquilo que sou,
És tu.
Tags: Diana
Continuo à procura.
Algo me prende:
A ti.
A uma imagem impossível.
Procuro o que o tempo quis.
O que a realidade quer.
O que o sonho diz não ser,
Um estranho acaso.
Não foi.
Não é.
Não és.
Nada.
Não sou.
Nunca fomos.
Nunca poderíamos…
Continuo a pensar.
Continuo a palpitar,
Em cada momento,
Por cada gesto.
Não foste nada,
Não és.
Mas isso não torna
O passado mais frio,
O presente menos ausente.
Não sei porquê.
Nunca soube.
A sombra é a mesma.
A luz não se esvai.
A noite é a de sempre.
E o olhar…
Esse…
Não faz sentido.
Tanto tempo…
Tão estranho…
Porquê?
O quê?
Nada.
É só um espaço,
Turvo,
Vazio.
És só tu
Sentindo sem saber.
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