Frankfurt 02/03/2008
Entre as sucessivas chamadas, os sorrisos adiados pela despedida e o mar de cultura mundana, recorda-se com carinho, a tal ” Stairway to Heaven”. Recorda-se mar, recordam-se palmeiras, pedras, casas, rostos, vidas… Na mochila vai saudade como também memórias que o tempo não compra. Vive-se a paixão de algum dia. Vive-se o querer viver, mudar, sair, partir… a sensação pura e essencial de ver as nuvens de cima de um sonho, algo que se alcança apenas quando a noite é mais alta, quando acordamos em rebuliço e achamos que fomos longe de mais numa esfera perfeita e (apenas) imaginária. Como escrevia num cartão, em duas línguas comuns:
“A vida é assim mesmo…”
Efémera. Nada é eterno. Tudo passa, tudo corre, tudo grita, tudo geme. Não vale a pena voltar atrás. Apenas podemos olhar para o que passou com um sorriso ou com uma lágrima de sal no canto do coração. Fiz amigos, trouxe a alma mais cheia.
“Viajo sem poder parar e atravesso sensações, experiências, rostos mais ou menos desfocados pelo tempo, mas tudo fica para trás, nada se consegue conservar.”
Gonçalo Cadilhe em “No princípio estava o mar”
Como português gostava que a palavra “saudade” não constasse do meu dicionário.
Como ser humano gostava de não sentir. Ou simplesmente não sentir a dor.
O mundo é tão vasto! Passam-se horas e horas num check-in ou num ponto de passagem entre o embarque e a chegada e observam-se tantas maravilhas do mundo dos mortais… algumas que são por nós imortalizadas na nossa mente. Tanta gente que nunca vimos. Tanta gente que não voltaremos a ver… às vezes à visão junta-se a vontade de conhecer e abraçar cada uma desseas pessoas que existem para nós porque simplesmente passam por aí.
Nos olhos fica o sal que outrora despertara sorrisos e emoções. A estrada apenas tem um sentido e é para a frente.
No rosto fica uma imagem, na cabeça um sentimento. O coração ficou por lá…



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