Continuo à procura.
Algo me prende:
A ti.
A uma imagem impossível.
Procuro o que o tempo quis.
O que a realidade quer.
O que o sonho diz não ser,
Um estranho acaso.
Não foi.
Não é.
Não és.
Nada.
Não sou.
Nunca fomos.
Nunca poderíamos…
Continuo a pensar.
Continuo a palpitar,
Em cada momento,
Por cada gesto.
Não foste nada,
Não és.
Mas isso não torna
O passado mais frio,
O presente menos ausente.
Não sei porquê.
Nunca soube.
A sombra é a mesma.
A luz não se esvai.
A noite é a de sempre.
E o olhar…
Esse…
Não faz sentido.
Tanto tempo…
Tão estranho…
Porquê?
O quê?
Nada.
É só um espaço,
Turvo,
Vazio.
És só tu
Sentindo sem saber.
Tags: lugar
Quando a confusão se instala as palavras não fluem. Quando não sabemos bem o que fazer, se fazer, o que pensar, se pensar, o que ser, se ser… simplesmente ficamos parados à espera de algo ou alguém… dentro ou fora de nós. Precisava de escrever algo… não consegui. Deixo então algumas palavras muito especiais e que melhor que nada retratam este momento. Alguém as escreveu por mim…
***
“
Durmo ou não?
Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem… Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?
”
Fernando Pessoa
Quando,
Aquilo que não digo,
For um pedaço de terra,
Uma pedra da calçada,
Todos os restos de uma imagem,
Voltarão a unir-se em torno de algo,
Num movimento de rotação,
Em torno de um eixo,
Com as mesmas forças,
Os mesmos motivos,
Então,
Tudo o que não foi,
Poderá ser.
Basta descodificar,
Aquilo que ainda,
Por lapso,
Se encontra cifrado,
Dentro do nosso mundo.
Então,
Tudo o que sou,
Voltará a ser,
Aquilo que sempre foi
E será.
Um pedaço de nada,
Um mais,
Ou menos,
Zero,
Num mundo de,
Mais,
Ou menos
Zeros,
E uns,
Absolutos.
Só não quero,
Ter de ser,
Mais,
Ou menos,
Que o lógico.
Mas a lógica,
Não define
O que se sente.
Mente,
Mente.
Quero ser,
Simplesmente,
Absolutamente,
O teu chão.
Tags: Love is a number
Abre os olhos
No meio da nébula.
Tenta distinguir
O que ainda resta de ti
Olha em frente,
Fixa essa estrada…
Não percas o rumo
Nem o fio à meada.
Não penses mais.
Esquece o que te move,
As razões principais…
Esse êxtase,
Essa fuga de ti…
Não perguntes porquê:
Pára para ouvir.
Não sigas a tua sombra,
Segue-te a ti!
Não sejas só mais um…
És capaz de ser…
És um ao quadrado…
Um ao cubo…
Mas não deixas de ser,
Aquilo que és,
Aquilo que sempre foste:
Um só.
Tags: espelho
De braços abertos recebo a estrada.
O mar está calmo.
Só quero poder dizer
Que um dia te conheci,
Te toquei,
Te olhei.
Nada mais no mundo pode ter,
Ainda que vão e ténue,
Algum sentido,
Na minha rua,
Parada,
Deserta.
Não quero saber
O que dizem as paredes.
Não quero pintar mais uma chaga
No que tu dizes ser
O teu mundo.
Nada é tão fugaz…
Nada é tão eterno…
Nada podes escrever para sempre,
E para sempre ser lembrado.
Tudo o que quiseres,
Tudo o que imaginares,
Tudo o que olhares,
Será sempre o teu legado,
A tua amarra num cais,
Num barco preso,
Quando não sabes onde vais.
Esta noite é tua,
Das tuas estrelas,
Do triunfo da tua glória,
E alma,
E viver,
Tudo o que quiseste ser…
Tudo o que já não és,
Tudo o que és para mim.
Apesar do que possas dizer,
Serás, um dia,
Aquilo que sempre quiseste.
E hoje,
Mais agora,
Mais aqui,
És o que quero para sempre,
Sem dares conta dos laços,
Sem perguntares porquê.
Sou a mesma estrada,
O mesmo leme invisível.
Sou o caminho que percorres,
Sem olhar para trás,
A lembrança que levas de outras paragens.
Luta pelo que sempre acreditaste,
Vence tudo o que nunca amaste.
Nada é superior à tua alma,
Nada te pára nem acalma,
Nada é semelhante a ti,
Apesar do que possamos,
Ainda que por graça,
Inventar.
Fiz-te acreditar,
Agora ensina-me a amar.
Tags: tu

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