Finsbury Park [please mind the gap]

pode parecer estranho e surreal… porque não estou categóricamente sóbrio…

pode parecer que me deixo levar pelas dimensões do tempo e pelas sensações coloridas de um amanhã…

mas não. não quero saber.

eu disse. esta confusão de palavras é dedicada à minha gémea. pelas conversas e encontros. e desencontros. aos olhares!

falo-vos de uma estação. de um caminho… no centro do mundo…

Finsbury Park.

[uma estação de metro. do mundo. para mim tem um significado. tenho esta coisa de ver pormenores em coisas aparentemente simples, quando os das complexas e óbvias me passam completamente ao lado. ela sabe. compreende. é assim, também.]

[não podendo contar metade do que senti e vi. dos olhares e das gentes que passam. não há palavras]

dois seres amam-se, olham-se, mexem-se.

não manifestam esse amor.

dois humanos olham-se. apenas. só.

estamos no metro de londres. nesse emaranhado de vidas. são anónimos [para mim]. desconheço os seus nomes, os seus hábitos… pertencem ao meu campo visual num determinado momento, ponto.

amam-se. sente-se no ar frio e distante das gentes do metro.

mas eles estão perto. deles próprios. um do outro…

amam-se porque eu sei, como não sei [amar].

aproximam-se. o beijo parece não se soltar. apesar dos toques e do espaço, e dos relógios estarem parados nesse instante. manteve-se o espaço. [mind the gap]

podemos imaginar as suas identidades, vislumbrar os seus olhares.

aproximam-se. falam…

como se de uma noite se tratasse…

como se um ambiente noctívago e cúmplice os envolvesse.

amam-se porque eu sei, como não sei. mais uma vez. mais as vezes que forem precisas. porque não há mais nada.

the next station is Finsbury Park.

saem.

do metro.

da minha vida.

como sairemos um dia,

da vida um do outro.

se algum dia chegámos a entrar…

Finsbury Park [vê-se].

chegaram ao destino.

chegaremos?

teremos algum?

this is Finsbury Park. Please mind the gap between the train and the platform.

saem.

  1. Diana’s avatar

    Eduardo é tão estranha a sensação com que eu fiquei ao ler este texto teu…sim teu…incrivelmente bem escrito…ainda mais estranho é o facto de tu me mencionares…Obrigada por isso, enfim agora parece que as palavras me escapam, mas não, agora n me posso calar…
    e é tão bom encontrar alguém que estremece com pequenas coisas, alguém tão especial que se deixa ficar num olhar que não deixa cegar nunca,e soube sempre bem todas as conversas que tive contigo, todas aquelas coisas que só tu sabes, e sim eu sei que não vais acreditar naquilo que acabei de dizer porque apesar de me espantar com a tua escrita oh pá és um teimoso!! (cá faltava o insulto 😉 )
    Obrigada por tudo mesmo, acredita caramba adorei mesmo este texto…e estou a ver q Londres foi uma óptima experiência…GENTE!!!enfim rostos, olhares, sorrisos, gestos…tudo aquilo que nos deixa sem chão e mesmo assim movemos não nos sentindo mas continuamos, sabendo que ali mais adiante tudo acaba mas nós olhamos na mesma e deixamo-nos ficar…e assim todos os dias há uma série de coisas para sentirmos…assim todos os dias serão distintos…OBRIGADA do fundo do coração!!
    e enfim OLHA COM OLHOS DE VER…SEMPRE!

    ass: gémea:”A pequenez das coisas é a verdadeira grandeza do Mundo”

  2. Carlos Marques’s avatar

    lembras-me de mim,nos meus verdes anos,ja conheces o caminho ate finsbury park e outros tais. E bom saber que isso te marcou.

  3. ana’s avatar

    a sério Eduardo estou maravilhada com este texto….não sei porque mas não parece que foste tu a escrever, parece que foi tirado de um livro…está mesmo fixe….continua assim….boa sorte para tudo…que tudo te corra bem na vida….mts bjos

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