le temp des secrets

faz-me falta. ela faz-me mesmo falta. parecem tão longínquos os tempos em que corria para mim com aquele sorriso rasgado pelo vento. sei que ainda hoje me conhece. sei que ainda hoje sabe que estou lá [cá]. sei que ainda hoje não resisto a estar aqui, sempre que ela precisar. estou só adormecido – eu sei- efeito de uma morfina que agora desvendas. sei também que não é por ti ou por ninguém ‘que te afastaste e não voltaria a acontecer’. o mundo fez questão e respeito isso. porque vou ser sempre o mesmo porto. é mais forte que eu.

acabo por afastar, mais tarde ou mais cedo,  tudo o que me é querido e a razão disso não sei. falho nisso. os ventos em direcções opostas falham nisso. mas no final de contas estou sempre por aqui. e estarei…

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[a] casa.

casa é esse lugar mágico onde nos encontramos. porto de abrigo para onde fugimos quando o mar está bravo.

casa é uma telha, caixa de cartão ou âncora. o nosso espaço.

não sei que diga da casa das minhas ideias. a casa dos meus sonhos, dos meus ideais, de tudo o que sinto, é tanto esta em que me deito como uma viela em que me perco; mas haverá sempre ‘a casa’.

casa é estabilidade e conforto. é bom estar em casa.

casas?

essa arte

assumo-me anti-arte. ou serei antiarte? essas coisas de códigos de conduta e códigos e acordos ortográficos limitam a comunicação humana. não sabemos como dizer… preocupamo-nos mais com a forma como dizemos do que com o que sentimos. e perdemo-nos assim nas palavras, depositando-lhes uma verdade que apenas pode pertencer ao que sentimos e aos momentos em que sentimos. e eu preocupado com a arte e os códigos que inventamos… afinal acho que sou pela arte… sou pela alternativa… pela essência da irracionalidade humana intrínseca e inconsciente. sou por um mundo onde se sente. sou pela arte de se ser. pela arte de nos amarmos e despedirmos. sou por essa arte.

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o tabu do que somos

vou.te procurar
como quem ama sem poder
partir os carris de saudade,
romper as minhas amarras a essa linha,
para encontrar em ti,
um túnel,
com fundo e sem destino.
perder o cinzento
para o azul desse teu céu.
vou.te encontrar
como sonhei outrora,
como um dia conheci.
quero estar aí,
diante de algo que não conheço,
vivendo aquilo que não é meu,
sonhando e agindo
como um louco,
indigente,
eterno poeta,
errante
de alma decadente,
nascido para um dia acordar
cercado do que somos.
e tu,
o que és
e o que és em mim:
espelho meu.
espelho meu:
diz-me quem sou eu,
e o que faço aqui.
e o que fazes aqui,
neste mundo que é nosso,
unindo numa só linguagem
o que é sério,
o que é jogo,
o que é vago,
ou tabu.
vou.te agarrar,
como não quero,
e não como não sei.
amor
é o resto do fogo
que a paixão não queimou.
paixão
é madeira que fica
e que vai ardendo na tua mão.
que palavras são estas?
isto
[que não é concreto]
é uma pilha de brinquedos
sobre um plano inteligível
do nosso inconsciente.
tudo isto é mais que zero.
mais que seis
elevado a infinito.
mais que nada,
aquilo que vamos sendo e não sendo.
mais que eu e tu,
somos nós.
não sei como,
não sei o quê,
mas sei que sim.
a nossa história é
mistério,
tentação,
a melhor da colecção:
todo o meu ser.
e a melhor parte?
guardo para o fim.
não tenho a certeza
mas queria sentir-me assim.
perguntas-me porquê:
fico calado.
tudo o que sinto é mais
e [quase que] a mais.

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6:45

é estranho olhares à tua volta e pensares que por vezes não vale a pena. que vão existir sempre aquelas pessoas que simplesmente passam pela tua vida num momento ou dois [ambos diferentes, ambos irredutíveis, ambos errantes e de passagem]. e o que foi ou podia ter sido não volta mais a ser…

perdes momentos. constantemente. perdes-te a ti e lentamente vais percebendo que foram só momentos [que para ti ficaram]. momentos que partilhaste com mais alguém. mas um momento é só teu… para ti fica; para mais alguém, pode até passar. e passa!

e lá ficas tu com o teu tempo… com as tuas memórias… já que é impossível congelar momentos…

difícil é aceitar isso quando lhes deste valor a mais… quando estavam demasiado quentes para ti.

e tu ficas e ela vai…

e tu vais e ela fica…

e sem que ela perceba, fica…

desconhecendo, ingénua, o valor que teve… um momento

até perder de vista.

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